Gênesis

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O curador do Getty Museum, Brett Abbot, que está incluindo “Êxodos” em sua mostra de 2010 sobre fotojornalismo narrativo, diz que a “abordagem épica” é uma das marcas registradas de Sebastião Salgado: “De todos os fotógrafos que estou olhando, ele foi provavelmente o que escolheu as maiores estruturas conceituais. Ele está sempre olhando para os problemas globais”. Nesse sentido, “Gênesis” não é uma novidade tão grande quanto pode parecer de início.

Mesmo apesar de ter recentemente migrado para uma câmera digital para impressões de grande escala, as fotos de Salgado tem uma sensibilidade consistente. Ele ainda faz negativos, ainda gosta de fotografar seus temas usando contra-luz, enfatizando – ou romantizando, dizem seus críticos – suas formas e, seu trabalho ainda culmina em ensaios fotográficos que, através de uma rede de pequenas histórias, revelam algo a respeito de uma espécie inteira.

Seu galerista de longa data, Peter Fetterman, também vê uma linha contínua e forte em sua carreira. Apesar de ter inicialmente se surpreendido com o interesse pelas paisagens exuberantes (“Quando eu vi os negativos, achei que talvez estivesse no estúdio errado, ou no arquivo de Ansel Adams”), ele disse que a empatia de Salgado pelas temas é um traço fundamental. “Outros fotojornalistas saem e voltam em um dia”, disse Fetterman. “Sebastião vai e vive com seus temas por semanas antes de tirar a primeira foto”.

Salgado também enfatiza a continuidade entre seus vários projetos. “Não há diferença entre fotografar um pelicano ou um albatroz e fotografar um ser humano”, disse ele. “Você precisa prestar atenção neles, passar tempo com eles, respeitar seu território”. Até as paisagens, diz ele, têm sua própria personalidade e retribuem uma certa dose de paciência.

Seu objetivo em “Gênesis” é produzir um total de 32 ensaios visuais, que ele espera exibir em grandes parques públicos assim como em vários museus a partir de 2012. “É o meu sonho mostrar o trabalho no Central Park, não em algum prédio, mas do lado de fora, junto com as árvores”, disse ele.

Até agora, o apoio financeiro para o projeto veio de vendas em galerias e acordos de reprodução com revistas como a “Paris Match” na França e a “Visão” em Portugal. Duas fundações de Bay Area – Susie Tompkins Buell’s e o Christensen Fund – também emprestaram dinheiro. Eventualmente, para levantar dinheiro para a publicação, ele planeja lançar uma edição limitada de 20 fotografias em platina.

Este é apenas um dos elementos que faz com que “Gênesis” pareça um projeto para a posteridade: a contribuição cuidadosamente planejada e bem intencionada de um fotojornalista veterano para seus filhos, netos e para o mundo como um todo. Mas ele diz que não pensa no projeto como seu último. Apesar de admitir que talvez não tente fazer novamente uma caminhada de 800 quilômetros nas Montanhas Simien, ele diz que não tem planos de se aposentar tão cedo.

“Não conheço nenhum fotógrafo que tenha parado de trabalhar só porque fez 70 anos”, disse ele, acrescentando que os fotógrafos tendem a viver por muito tempo. Ele mencionou Henri Cartier-Bresson, que morreu com 95 anos, e Manuel Alvarez Bravo, que viveu até os 100.

“Eu fui à Cidade do México para a celebração do 100º aniversário de Alvarez Bravo”, disse. “Ele estava doente, com seus pés dentro de uma banheira de água quente, mas ainda estava com sua câmera. E então ele fotografava os pés”.

Fonte: Estadão

~ por fotoclubef508 em 31 31UTC Maio 31UTC 2009.

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