Staring back

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Uma senhora de preto caminha pela rua Gay Lussac em Paris. Atrás dela, carros incendiados, ferros retorcidos, restos da barricada da noite anterior. A senhora caminha com a expressão tensa e mal entrevê, por trás dos óculos escuros, a câmera de Chris Marker, que registra aquele flagrante de maio de 1968. Num instante, tudo se concentra: o passado conservador, o presente revirado e o futuro inscrito no olhar de quem passeia pela mostra “Staring back”, a primeira exposição de fotos, selecionadas do acervo de mais de 60 anos, de um dos reinventores da linguagem cinematográfica pós-segunda-guerra.

Duas mostras em São Paulo vão tentar jogar luz sobre Chris Marker. Começa nesta quarta-feira (24) no Centro Cultural Banco do Brasil um festival com 33 de seus filmes. Em julho, o Museu da Imagem e do Som abre mostra com 200 fotografias de Marker feitas entre 1952 e 2006.

Marker não se considera um cineasta, mas já ganhou o Urso de Ouro em Berlim por “Descrição de um Combate”, de 1960. Filmou com Alain Resnais e Jean-Luc Godard, mas diz que só eles são diretores de verdade. Também não se diz fotógrafo, como foi seu amigo Henri Cartier-Bresson.

Marker acredita na fabricação da narrativa e do real, usando a memória como motor estético. Em “La Jetée”, filme de 1962, seu melhor exemplo desse tempo desconstruído e refeito, usou só os fotogramas cruciais para contar a história.

“É preciso que o abandono seja uma festa, que o adeus receba também uma cerimônia.” 

~ por fotoclubef508 em 23 23UTC Junho 23UTC 2009.

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